Apple reforçará sistemas que cifram os dados de backup do cliente no iCloud

A Apple está trabalhando em novas maneiras de reforçar os sistemas que cifram os dados de backup que seus clientes armazenam no sistema iCloud, de maneira a tornar impossível para a companhia atender a pedidos válidos de dados apresentados pelas autoridades judiciais, de acordo com pessoas informadas sobre os planos.

A decisão reforçaria a segurança dos clientes da Apple contra hackers mas também frustraria investigadores que, até agora, podem obter dados dos servidores da Apple por meio de liminares judiciais. A Apple já cumpriu milhares dessas liminares no passado.

Desenvolver tecnologia como essa é, em certo sentido, mais complexo do que adicionar o nível de segurança de que os iPhones passaram a desfrutar a partir de 2014, quando a Apple introduziu seu sistema operacional iOS 8.

Criar novas proteções que signifiquem que a Apple já não tenha acesso às chaves de criptografia da iCloud pode causar inconveniências a alguns clientes. Uma mudança como essa tornaria provável que clientes que esqueçam sua senha da iCloud percam o acesso às suas fotos, dados de contato e outras informações pessoais cujo backup esteja armazenado em servidores da Apple.

INVESTIGAÇÕES

Isso complica ainda mais a disputa judicial entre a Apple e as autoridades dos Estados Unidos sobre o acesso ao iPhone de um dos atiradores envolvidos nos homicídios múltiplos de San Bernardino. O caso dividiu a opinião pública dos Estados Unidos entre aqueles que acreditam que a Apple deveria ajudar os investigadores a tentar desbloquear o iPhone de Syed Rizwan Farook e aqueles que concordam com o presidente-executivo da companhia, Tim Cook, quanto ao fato de que fazê-lo criaria um precedente perigoso, que colocaria em risco a segurança dos consumidores.

Em entrevista à rede de TV ABC, na quarta-feira (24), Cook declarou que cumprir a exigência do Serviço Federal de Investigações (FBI) de criar uma nova versão do sistema operacional de sua companhia, que permitiria aos investigadores obter acesso ao iPhone, seria como criar “o equivalente de um câncer, em termos de software”.

“Há muitas coisas que a tecnologia jamais deveria ser autorizada a fazer. E o jeito de não autorizá-la é impedir o problema de ser criado”, disse Cook. “A segurança melhora com cada nova versão de nosso software. A proteção de dados cifrados melhora. É preciso que avance, para nos mantermos à frente dos bandidos”.

Na semana passada, em entrevista coletiva telefônica, quando perguntado se a fabricante do iPhone tomaria novas medidas para criar produtos mais seguros, um executivo da Apple disse que seria razoável esperar que a Apple continue a endurecer sua segurança.

HÁ 227 ANOS

Esta semana, a empresa apresentará sua contestação judicial ao uso pelo governo norte-americano de uma lei aprovada 227 anos atrás a fim de forçá-la a ajudar os investigadores a obter acesso ao iPhone do atacante em San Bernardino.

O “New York Times” reportou na quarta-feira que engenheiros da Apple já haviam começado a desenvolver novas medidas de segurança que impediriam o acesso das autoridades a um iPhone mesmo que elas contassem com o software que a empresa está lutando por não desenvolver.

A Apple se recusou a comentar sobre seus planos.

Falando à ABC, Cook disse que ele estava preparado para conduzir sua atual disputa com o FBI à Corte Suprema, se necessário.

“Se um tribunal forçar a Apple a desenvolver esse software, e criar uma porta dos fundos para o iPhone, acreditamos que centenas de milhões de clientes serão colocados em risco”, ele disse. “Isso não é sobre um telefone, mas sobre o futuro”.